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A Internet é a nova eletricidade

Se na economia os dados são o novo petróleo, seria correto afirmar que, em se tratando da sociedade, a Internet é a nova eletricidade?

Postado em 14 de setembro de 2021

Se na economia os dados são o novo petróleo, seria correto afirmar que, em se tratando da sociedade, a Internet é a nova eletricidade?

Em agosto passado, o Secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, anunciava um plano de oito anos para investir US$ 100 bilhões na implantação de banda larga em áreas rurais e carentes sem acesso à internet de alta velocidade. Na oportunidade ele disse: “A Internet de banda larga é a nova eletricidade”. O Secretário fez esta comparação porque, no início do século XX, o governo federal americano reconheceu que sem acesso à eletricidade a preços acessíveis, os americanos não poderiam participar plenamente da sociedade e da economia moderna. E, por este motivo, fez investimentos gigantescos para levar a eletricidade a todas as áreas urbanas e rurais, por volta de 1930.

Atualmente, quando se vai a algum lugar, não se pergunta se há energia elétrica lá, porque é algo que se espera que exista, razoavelmente, em todos os lugares. Tal qual a água encanada, a energia elétrica faz parte da infraestrutura mínima que se espera encontrar, de forma que não se pensa muito se ela estará lá, onde quer que estejamos indo. Infelizmente, com a Internet ainda não é a mesma coisa.

Quase ao mesmo tempo em que Vilsack fazia a célebre afirmação, o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (cetic.br), órgão do Comitê Gestor da Internet no Brasil, divulgava a pesquisa “TIC Domicílios 2020”, que traça um panorama do uso e dispersão da Internet Brasileira. Neste último estudo foi possível ver que o Brasil vem enfrentando a pandemia de COVID-19 com 1 em cada 4 pessoas sem acesso à Internet, e 18,9 milhões de domicílios sem rede ou computador. O preço da conexão permanece a principal barreira de acesso, mencionada pelos 5.590 domicílios pesquisados.

Mas, há algo paradoxal nisso. Se a Internet realmente é a nova eletricidade, por outro lado a disponibilidade da Internet depende da confiabilidade da energia. Dados do Ministério de Minas e Energia dão conta de que ainda há 420 mil famílias sem energia elétrica no país, englobando cerca de 1 milhão de pessoas. Além disso, se avizinha do Brasil uma crise energética sem precedentes, ocasionada pela inércia e negligência do Estado em atacar o problema e pelas mudanças climáticas que causam escassez de chuvas e esvaziamento dos lagos das hidrelétricas, responsáveis por mais de 60% da geração de energia no país.

Uma vez que há um consenso de que o acesso à Internet de banda larga é necessário para que as pessoas façam seus trabalhos, participem igualmente do aprendizado escolar, dos cuidados de saúde, façam negócios, se relacionem com harmonia, e permaneçam conectadas para poderem exercer plenamente a cidadania, a expansão do acesso à internet e à energia precisa ser feita simultânea e conscientemente sob pena de aprofundarmos as desigualdades sócio-digitais e de vivenciarmos um apagão eletro-cibernético, em curto espaço de tempo. Ainda há muito a ser feito.

por Prof. Dr. Adriano Mauro Cansian - Membro da Diretoria de Eventos da Apeti (Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação)



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